segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Trump leva americanos a temer a Rússia e europeus a III Guerra Mundial


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Sondagem diz que há mais norte-americanos a considerar os russos uma ameaça. Só três em dez europeus consideram fraco o risco de um novo conflito mundial com o republicano

A chegada de Donald Trump à Casa Branca está a deixar europeus e norte-americanos preocupados com o futuro. Se para os primeiros o risco de uma III Guerra Mundial é elevado, para os segundos a Rússia representa cada vez mais uma ameaça. O presidente eleito, que é a favor de uma relação mais produtiva com Moscovo, admitiu numa entrevista ao Wall Street Journal que vai manter "pelo menos por um período de tempo" as sanções impostas pelos EUA à Rússia. Contudo, se os russos colaborarem na guerra contra o terrorismo e noutros objetivos importantes para Washington, então não há razão para estas continuarem.

Segundo uma sondagem Reuters-Ipsos, divulgada na sexta-feira, os norte-americanos estão hoje mais preocupados com a questão russa do que estavam em março de 2015. 82% dos norte-americanos descreveram Moscovo como uma "ameaça" para os EUA - 25% consideram que essa ameaça é iminente -, mais seis pontos percentuais do que há quase dois anos. Só a Coreia do Norte foi considerada uma maior ameaça para mais norte--americanos (86%) do que a Rússia.

A sondagem foi feita entre 9 e 12 de janeiro a 1169 norte-americanos (margem de erro de três pontos percentuais), já depois de revelado o dossiê sobre as alegadas ligações de Trump a Moscovo. Este inclui ainda a revelação de que a Rússia teria supostas provas comprometedoras contra o presidente eleito, que poderia usar para o chantagear. Trump apelidou de "notícias falsas" o conteúdo do dossiê, com o Kremlin a negar a existência de tais provas.

Trump disse que está preparado para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, depois da tomada de posse, a 20 de janeiro. "Se nos dermos bem e a Rússia nos estiver a ajudar, porque é que manteríamos sanções se alguém estiver a fazer coisas mesmo boas?", questionou o republicano na entrevista ao Wall Street Journal. Os líderes da Comissão de Informação no Senado vão questionar membros da futura administração sobre as relações com Moscovo, ao abrigo do inquérito sobre a pirataria informática durante a campanha.

O presidente eleito falou também da política da "China única" (segundo a qual os EUA não reconhecem Taiwan), dizendo que "tudo está em negociação". Os chineses já tinham criticado o republicano por ter falado ao telefone com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Trump disse no passado que, quanto tomasse posse, iria acusar a China de manipular a moeda. Na entrevista disse que não o fará logo no primeiro dia. "Falarei com eles primeiro", afirmou, repetindo, contudo, que eles são manipuladores. "As nossas empresas não podem competir com eles porque a nossa moeda é forte e isso está a matar-nos." O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês respondeu dizendo que a política da "China única" não é negociável e é a base das relações entre Pequim e Washington.

Segundo o IV Barómetro da Cambridge University Press, divulgado em Espanha, 36% dos europeus consideram que a eleição de Trump aumenta "muito" ou "bastante" o risco de uma nova guerra mundial. Só 30% acreditam que o risco é "pouco" ou "nenhum". As questões em relação ao presidente eleito foram feitas a 600 pessoas (cem por país - Espanha, Reino Unido, Alemanha, França, Dinamarca e Itália). Seis em cada dez inquiridos consideram negativa a eleição, com mais de metade a acreditar que afetará a NATO, a economia mundial e o meio ambiente. Para 58%, a ida do republicano para a Casa Branca vai afetar a estabilidade global.

Se nas casas de apostas britânicas já é possível pôr dinheiro num eventual impeachment (destituição) de Trump, nos jornais norte-americanos a expressão também aparece. David Brooks, colunista do The New York Times, escreveu sobre a "era pós-Trump", alegando que "o tipo vai provavelmente demitir-se ou ser alvo de uma destituição no espaço de um ano". Já em novembro, o professor Allan Lichtman (um dos poucos que previram a vitória de Trump) disse ao The Washington Post que este "será eventualmente destituído por um Congresso republicano que prefere um presidente Mike Pence, alguém em quem o establishment republicano confia".

Para já, são os democratas que lhe estão a virar as costas, com pelo menos 12 congressistas a anunciar que vão boicotar a tomada de posse. Um deles é o afro-americano John Lewis, da Georgia, que considera que Trump não é um presidente "legítimo". Este respondeu no Twitter que Lewis "devia passar mais tempo a consertar e a ajudar o seu distrito, que está numa forma horrível e a cair aos pedaços (e infestado pelo crime), em vez de reclamar falsamente sobre os resultados das eleições. Só fala, fala, fala e não apresenta resultados. Triste".

Fonte:http://www.dn.pt/mundo/interior/trump-leva-americanos-a-temer-a-russia-e-europeus-a-iii-guerra-mundial-5605989.html


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