domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sem a refinaria, estudantes buscam outro rumo



Dia 15 de janeiro, após cinco anos de estudo, Hydra Walesca de Lima Rodrigues, 22, graduou-se. Está entre os 10 alunos formados na primeira turma de Engenharia de Petróleo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). O curso foi criado incluindo carga acadêmica sobre refino. O objetivo: trabalhar na Refinaria Premium II, prevista para ser erguida pela Petrobras no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Ou mesmo na cadeia produtiva que o megaempreendimento atrairia. Mas o projeto foi abortado e trouxe frustração também a esses profissionais. São 90 mil empregos diretos e indiretos perdidos.



Hydra ressalta que a cadeia produtiva do refino é o que mais poderia empregar o engenheiro de petróleo, já que a Petrobras não tem a cultura de contratar esse profissional para refinarias. “Os concursos são exclusivos para engenheiro químico. Nós seríamos profissionais pioneiros, porque temos esse diferencial”, afirma a engenheira.

Ela vai fazer uma pós-graduação em 2016. Enquanto isso, é contratada para atuar no laboratório da UFC, já na pesquisa que vai desenvolver sobre o pré-sal.

Por ano, entram 40 novos alunos na graduação, que tem atualmente 200 estudantes no total. O coordenador do curso, Rodrigo Vieira, admite a influência da refinaria na criação do curso, mas ressalta que o mercado é mais amplo.

“De certa forma, (o cancelamento da refinaria) é ruim para os nossos alunos formados. É ruim para muitos profissionais que poderiam ser absorvidos pelo empreendimento”, destaca Rodrigo. Diz que o fim do projeto não deve implicar evasão ao curso.

O aluno de engenharia de petróleo, Paulo Estevão, conta que não estuda por conta de projetos de refino. “Sinceramente não afeta muito essa perda. Entrei no curso sabendo que teria que ir pra fora do Estado”, declara.

A Universidade de Fortaleza (Unifor) oferece uma pós-graduação em engenharia de petróleo desde 2001. O curso também era apontado uma vantagem para o Estado ter ampliado a cadeia de refino, a partir de uma refinaria.

Em Caucaia
A Microlins está formando mais 10 alunos em um curso técnico de Petróleo e Gás. Outra turma será aberta, independente do cancelamento da refinaria. “Eles tinham interesse na refinaria, sim, mas há outras possibilidades até fora do estado”, ressalta Aline Jordana, orientadora pedagógica da empresa em Caucaia.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) aguardava o início das obras da Premium II. “O Senai-Rio já tem uma grande gama de formação profissional, especializações e várias formações nessa área. Aqui, optamos por nos resguardar um pouco”, afirma Marcos Ranieri, coordenador no Sistema Fiec

Rede Petro Ceará
A Associação de Empresas Fornecedoras de Bens e Serviços da Cadeia Produtiva de Petróleo, Gás e Energia (Rede Petro Ceará) vai avaliar os impactos da descontinuidade da refinaria cearense. Conforme o presidente, Vanisio Pinheiro, até segunda-feira haverá uma reunião para analisar os rumos da Rede Petro, que trabalhava em função de aproveitar os negócios que a refinaria poderia gerar.
Fonte: http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2015/01/30/noticiasjornaleconomia,3385178/sem-a-refinaria-estudantes-buscam-outro-rumo.shtml
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