quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Jihadista belga de origem brasileira é condenado na Bélgica


Ozana Rodrigues 

Nesta quarta-feira, a Justiça da Bélgica condenou Brian de Mulder, jovem belga de mãe brasileira, que se uniu ao Estado Islâmico. A acusação por envolvimento em terrorismo foi pronunciada à revelia.

Brian de Mulder foi condenado a cinco anos de prisão por pertencer ao Estado Islâmico e à organização extremista Sharia4Belgium (Sharia para Bélgica, em tradução do inglês), que atuou na Bélgica até há pouco.
Esta organização, chefiada por Fouad Belkacem, que agora está em prisão, ajudava o movimento terrorista internacional Estado Islâmico (EI) recrutando jovens belgas e enviando-os para a Síria. Estes jovens, que são conhecidos como Syriestrijder (Guerreiros Sírios, em flamengo), são o foco de atenção de vários jornalistas e pesquisadores do assunto, que tentam acompanhar os acontecimentos e revelar a realidade do que está se passando no Oriente Médio. Os Syriestrijder são também procurados pela Justiça belga.
A lista de acusados consiste de 46 nomes. Porém, só oito deles compareceram fisicamente perante o tribunal nesta quarta-feira, em Antuérpia.

O paradeiro exato de Brian de Mulder, de nome adotado Abu Qasem Brazili, é desconhecido. Supõe-se que ele esteja na Síria, nas fileiras do Estado Islâmico.
Dificuldade
Segundo os especialistas, o recrutamento de jovens europeus por organizações extremistas é perigoso não só para o Médio Oriente, onde são enviados para guerrearem na criação de um suposto "califado" ou "Estado islâmico". O principal risco consiste na possibilidade de os "Guerreiros Sírios" voltarem para a Europa para atacar a sua pátria.
Em uma entrevista concedida à agência Rossiya Segodnya no ano passado, o historiador belga especializado em islamismo contemporâneo, Pieter van Ostaeyen, comentou que o Ocidente estava "criando um problema ainda maior do que aquele que já era". Tudo por causa de ter fomentado até "apodrecer" o conflito na Síria. "Veremos também mais e maiores ameaças ao Ocidente na Europa. E haverá mais ataques no estilo de Mehdi Nemmouche [membro do EI que abriu fogo no Museu Judaico da Bélgica em 24 de maio de 2014]. Eu acredito que agora existe uma ameaça bastante grande", disse o cientista.
Mas as causas do conflito vêm de mais longe ainda, passando, inclusive, pelo fomento do repúdio aos imigrantes magrebinos e asiáticos, que tinham sido "convidados" ao longo de umas décadas, comentou o professor van Ostaeyen: "Parece-me que nós trouxemos o conflito a tal escala que já não temos como voltar". Ele ainda sublinhou que é difícil controlar se uma comunidade muçulmana que aceita novos membros é extremista ou não: a nível de legislação, seria infração da liberdade de religião.
Outra dificuldade, talvez mais sensível e imediatamente importante, é relacionada com o modo de recrutamento. Brian de Mulder, por exemplo, converteu-se ao Islã quando estava passando por um período difícil da sua vida, tendo sido excluído do time de futebol em que jogava. As histórias de conversão de outros tantos islamistas convertidos são mais ou menos semelhantes.
Segundo a mãe de Brian de Mulder, Ozana (ou Rosana) Rodrigues, o seu filho desapareceu uma noite, sem avisar ninguém. Depois, a BBC informava que ele teria enviado à sua irmã um recado dizendo que eles não eram já a sua família e que "os irmãos muçulmanos são agora a [sua] família". Porém, se converter-se-iam ao Islã, os aceitaria.
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