quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Rússia e China abalam o dólar americano


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A aproximação da Rússia e da China ameaça o bem-estar do dólar americano, consideram os peritos. Durante a recente visita a Moscou de Li Keqiang, chefe do Conselho de Estado da China, as partes confirmaram o desejo mútuo de aumentar ao máximo as contas em rublos e yuans. Os peritos sublinham que semelhante tendência, no fim de contas, pode derrubar o domínio econômico dos EUA.

Em maio, a Gazprom e CNPC assinaram um contrato de 30 anos de fornecimento de gás na China no valor total de 400 bilhões de dólares. Os primeiros pagamentos segundo este contrato serão realizados em trocas em yuans. Por isso, o Banco Central da Rússia abriu uma linha de troca com o Banco Popular da China no valor de 150 bilhões de yuans (24,5 bilhões de dólares) em três anos. Deste modo, pela primeira vez na história, um negócio internacional no campo da energia foi realizado sem a participação do dólares, em yuans.

Claro que apenas um contrato de gás russo-chinês não influirá de fora alguma no destino do dólar. Porém, há razões para esperar que outros contratos comerciais no mundo também serão resolvidos sem a moeda americana, assinala Andrei Vinogradov, dirigente do Centro de Prognósticos e Estudos Políticos:
"O volume do comércio entre a China e a Rússia é bastante grande. E precisamos de estabilidade. A volatilidade do câmbio do rublo em relação ao dólar influi negativamente nas relações comerciais e econômicas bilaterais entre a Rússia e a China. Por isso, ambos os países estão interessados em evitar riscos cambiais. Uma das formas de estabilização pode ser precisamente a passagem para as contas em moedas nacionais".
A abertura pelo BC da Rússia de uma linha de troca com o BPC é o primeiro passo para a estabilização, assinala Andrei Vinogradov. Devido às sanções ocidentais, as empresas russas sentem falta de créditos baratos. Num momento em que estão fechados os habituais mercados ocidentais de capital, a linha de yuans é uma saída completamente justificada da situação. Porque o BC da Rússia não terá de adquirir dólares americanos no mercado.
Porém, é curioso que também outros países não afetados pelas sanções financeiras da parte do Ocidente tentam reduzir a dependência dos EUA e do dólar. No verão passado, os chefes de estado dos BRICS assinaram um acordo-quadro sobre a criação de um conjunto de moedas de reserva e de um Novo Banco de Desenvolvimento. No fundo, trata-se de mini-análogos regionais do FMI e do Banco Mundial, que, durante muitos anos da sua existência, se transformaram em instrumentos políticos de pressão dos EUA.
Mais, até empresas dos EUA passam para pagamentos em yuans. Segundo dados da SWIFT, no ano passado, o volume de negócios em moeda chinesa triplicou. É vantajoso para as empresas americanas recusarem ao dólar nas contas com os parceiros chineses, porque, nos negócios em dólares, aumentam as despesas em comissões.
Parece que Pequim pensa seriamente em criar um novo concorrente de moeda de reserva mundial. Hoje, o governo chinês realiza a política de liberalização gradual da política monetária. Aumentou até 2% a margem comercial em que se pode alterar o câmbio do yuan. Foram levantadas algumas limitações à movimentação de capital, considera o economista Serguei Lukonin, do Centro de Estudos da Ásia e do Pacífico:
"As autoridades chinesas querem gradualmente fazer do yuan uma moeda de reserva. Para isso é aumentada a fatia do yuan nas contas internacionais. Depois, a China retirará vantagens financeiras disso. Porque o yuan será mais estável. Os exportadores poderão receber maiores lucros. E o principal é que, se o yuan se tornar uma moeda de reserva mundial, embora esse seja um longo processo, a China poderá de certa forma influir em todo o sistema financeiro mundial".
Todavia, como assinala o perito russo, por enquanto, a parte do yuan no comércio não corresponde de forma alguma ao lugar da China na economia mundial. Nenhum banco central, além do Banco da China, guarda reservas em moeda chinesa. O yuan não é uma moeda de pagamento do sistema CLS, que engloba mais de metade de todas as operações internacionais de conversão de moeda.
Por isso será difícil num momento só diminuir a dependência do dólar, assinala Serguei Lukonin. 70% das contas mundiais continuam a ser feitas em moeda americana. O yuan vem apenas em 7º lugar no mundo quanto à frequência de utilização. Porém, nada impede a moeda chinesa de, nos próximos tempos, subir nessa escala. Porque aumenta constantemente o número de países que quer trabalhar diretamente com o yuan, sem o dólar.
Fonte: A voz da Rússia
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