segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Os efeitos da crise da água na economia




Seca na região mais industrializada do País, São Paulo e Minas Gerais, ameaça deixar a população sem água devido à escandalosa falta de investimentos nas empresas públicas privatizadas e ainda pode afetar diretamente o PIB nacional

A falta de água em São Paulo deverá inevitavelmente gerar graves problemas na economia nacional. Todos os ramos da economia estão enfrentando cortes no fornecimento de água. A indústria já dá sinais de racionamento por causa da crise. O setor energético está ameaçado de colapsar.
A indústria química foi a primeira a estabelecer rodízio na produção. A empresa Rhodia desativou quatro das 22 unidades de produção na planta de Paulínia, segundo o jornal O Globo. E a crise vai além.

“A Fribria Celulose está trabalhando em plano de contingência se preparando para o caso de ter a água cortada. A associação da indústria açucareira, Única, alertou as usinas a adotarem um plano B. A associação Brasileira de Indústria Textil (Abit) disse que seus membros já estão vivendo uma escassez”. O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo. Metade da indústria têxtil do país está em São Paulo (O Globo, 24/10/2014).
Na cidade de Tambaú, o polo da indústria cerâmica, amarga prejuízo de R$ 4 milhões com a queda da produção pela escassez de água. A indústria de Frios também foi afetada. A JBS localizada em Barretos, a 440 KM da capital paulista antecipou as férias coletivas e paralisou a produção após a prefeitura decretar o racionamento.
Ao menos 54 municípios no estado já decretaram racionamento. E a Federação das Industrias do estado de São Paulo (Fiesp) estima que o prejuízo da crise para o PIB paulista será de R$ 1,2 trilhão.
De acordo com o professor de economia Otto Nogami, que foi entrevistado pelo Yahoo Notícias, “Dada a representatividade de São Paulo na composição do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, já é possível estimar uma queda na ordem de 0,8% na economia”, disse. “Se o governo não começar a agir agora, podemos esperar que o crescimento encolha ainda mais”. O estado sozinho representa mais de 30% do PIB nacional.
Para exemplificar o economista comenta a seca que atingiu os EUA no verão de 2012 e causou uma recessão de 0,2 ponto do crescimento da economia no segundo trimestre daquele ano.
O Sul de Minas também está sendo afetado pela crise da água. A região afeta o abastecimento do Sistema Cantareira daí que foi feita uma discussão de metas de restrição do uso da água proposto pela Agência Nacional das Águas nas cidades de Extrema, Camanducaia, Itapeva, Toledo e Sapucaí-Mirim.
"A redução de 30% no volume de captação para a indústria pode refletir em racionamento e até em paralisação da produção, com possíveis demissões. Então estamos discutindo aqui uma revisão dessa proposta da agência e questionando essas medidas uma vez que não temos na região uma situação de falta de água", disse David Figueiredo Barros do Prado, coordenador das áreas ambiental e trabalhista da Melhoramentos no Sul de Minas, indústria do setor de papel e celulose (G1, 09/10/2014).
Cerca de 56% do volume de água que abastece mais de 14 milhões pessoas pelo Sistema Cantareira saem do Sul de Minas. Os rios Jaguari e Camanducaia e seus afluentes nascem em Camanducaia, Itapeva, Toledo e Sapucaí-Mirim e se juntam em Extrema antes de entrarem no estado de São Paulo. Parte dessa água segue ainda para a Bacia Piracicaba-Capivari-Jundiaí, que garante o abastecimento na região de Campinas (SP) (idem).
Os efeitos da crise na economia por enquanto são apenas estimados. Logo virá à tona a gravidade da seca que mais do que secar as torneiras, pode também ajudar a secar economia nacional.

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