segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Asteroide descoberto por russo pode entrar em rota de colisão com a terra




No final de outubro, astrônomos russos descobriram um novo asteroide, que recebeu o nome de 2014 UR116 e é vinte vezes maior do que o meteorito de Tcheliábinsk. Existe uma possibilidade de a sua trajetória se desviar em direção à Terra.

No final de outubro, a rede russa de telescópios robóticos Master detectou o novo asteroide 2014 UR116, que representa uma potencial ameaça para o nosso planeta. Seu tamanho é de mais de 370 metros, ou seja, 20 vezes maior do que o meteorito de Tcheliábinsk, que colidiu com a Terra em fevereiro de 2013. A trajetória do corpo cósmico vai passar perto de Vênus e Marte e existe a probabilidade de ele sofrer um desvio que o coloque na direção da Terra.
O corpo cósmico foi descoberto por Denis Denissenko, especialista do Instituto Astronômico Estatal da MGU (Universidade Estatal de Moscou) e descobridor de sete supernovas e mais de cinquenta estrelas variáveis. Ele falou à Gazeta Russa sobre a potencial ameaça que o asteroide representa para o planeta.

Gazeta Russa – Onde e quando poderá eventualmente cair o asteroide descoberto por você?
Denis Denissenko – Por enquanto não se sabe. De acordo com os nossos cálculos, nos próximos seis anos ele não colidirá com a Terra. A margem de erro de sua localização no espaço durante a próxima aproximação à Terra, em outubro de 2017, é de 1,8 milhão km. Do mesmo modo, é impossível prever as futuras aproximações do asteroide a Marte e Vênus, que podem mudar significativamente a sua órbita.
Se ele colidir com a Terra, haverá chance de sobrevivência ou não?
Asteroides deste tamanho (cerca de 370 metros) podem causar catástrofes naturais, mas não a extinção da humanidade. Por enquanto não é possível prever data e local aproximado de nenhuma colisão com a Terra, seja do 2014 UR116 ou de qualquer outro asteroide perigoso.

O segredo das minhas descobertas pode ser descrito com uma frase de Sherlock Holmes: "Olhar e ver, observar e reparar –são coisas diferentes." Foto: wikipedia.org
O que é o sistema Master? Como ele conseguiu se detectar o asteroide?
O Master é um sistema único porque é universal e capaz de realizar várias tarefas simultaneamente. Os únicos análogos a ele no mundo são os sistemas Catalina Sky Survey, Pan-STARRS e o Palomar Transient Factory. No entanto, nenhum destes consegue reagir como o Master às explosões de raios gama, que são explosões poderosas, mas de curta duração, que ocorrem no Universo. Outros sistemas similares (o Rotse, composto por telescópios de Estados Unidos, Turquia, Namíbia e Austrália, e os europeus e Bootes e GROND) nunca detectaram nenhum asteroide potencialmente perigoso. Os telescópios inteligentes e móveis do Master já detectaram repetidas vezes radiação óptica de objetos tão distantes cuja luz não era sequer visível ao telescópio ótico do observatório espacial Swift.
Como funciona a interação de vocês com as agências espaciais estrangeiras?
Só com o envolvimento de vários observatórios em diferentes longitudes do globo terrestre é possível acompanhar a extinção de uma fonte de explosão de raios gama ou traçar a órbita de um novo asteroide. Dois dias depois da descoberta do asteroide 2014 UR116, e pela primeira vez na história, 28 telescópios em dez países diferentes foram direcionados para um mesmo corpo celeste. A maioria dos centros de recolhimento, tratamento e difusão de informação astronômica se encontram hoje nos EUA.
Ao longo da sua vida você descobriu sete supernovas e 50 estrelas variáveis. Isso tem a ver com alguma sorte especial?
O segredo de um número tão grande de descobertas está na minha devoção à ciência, no meu fanatismo, no bom sentido, e em muito trabalho. Mas a sorte tem, de fato, um papel importante na astronomia.
O asteroide 2014 UR116 leva três anos para dar uma volta completa em torno do Sol, com um cálculo de erro de mais ou menos uma semana. Isso significa que a cada três anos, em outubro, ele se aproxima da Terra e fica brilhante o suficiente para ser detectado por sistemas de busca do tipo Catalina Sky Survey. A aproximação anterior aconteceu em outubro de 2011. O asteroide poderia ter sido detectado durante uma semana ou uma semana e meia, mas naquela altura ninguém se deu conta de sua presença no Espaço.
Provavelmente, no momento de maior aproximação e brilho máximo, no final de outubro, ele saiu para fora da Via Láctea na região da constelação de Aquila, onde ninguém procura por asteroides, tendo em seguida se deslocado muito rapidamente e acabou não sendo detectado pela rede de observação de asteroides. E também a lua brilhante do início de novembro de 2011 impediu a descoberta.
O segredo das minhas descobertas pode ser descrito com uma frase de Sherlock Holmes: "Olhar e ver, observar e reparar –são coisas diferentes." Em astronomia isso é extremamente importante.
Sobre o sistema Master 
O sistema de telescópios robóticos Master é capaz de resolver em simultâneo um grande número de tarefas fundamentais e aplicadas em diversas áreas da astronomia. Guiado pelos sinais que recebe dos satélites, os telescópios do Master  se reorientam em segundos automaticamente para as fontes de explosões de raios gama cósmicos. Desse modo, torna-se possível descobrir supernovas, novas clássicas e anãs, assim como asteroides nas proximidades da Terra. Na lista de descobertas do Master constam cerca de vinte tipos de objetos, incluindo alguns exóticos.
O sistema foi totalmente desenvolvido na Universidade Estatal de Moscou Lomonôssov, sob a orientação do professor Lipunov.

Fonte:http://br.rbth.com/ciencia/2014/11/17/asteroide_descoberto_por_russo_pode_entrar_em_rota_de_colisao_com_a_t_28273.html
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