segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A milionária “bolsa-imprensa”





Para o cartel de direita que comanda todo sistema de comunicação no país garantir programas sociais à população é compra de voto, mas repassar dinheiro público para manter os meios de comunicação é normal

Enquanto os grandes grupos de comunicação fazem as campanhas da direita, contra os programas sociais e contra o fundo partidário, eles mesmos são os privilegiados que recebem dos cofres públicos, do contribuinte, o seu próprio auxílio: a “bolsa-imprensa”. Além de terem garantido as concessões públicas para que possam funcionar as TVs, rádios, jornais diversos e revistas contam com o repasse federal para a propaganda.

Longe de ser um valor irrisório, como são os fundos partidários repassados aos partidos de esquerda, as emissoras, por exemplo, contam com milhões de reais em financiamento. A primeira constatação é que somente dez veículos de comunicação concentram 70% de todo esse dinheiro. Sozinha a rede Globo de televisão, da família Marinho, contou no ano de 2012 com um repasse federal de R$ 495.270.915,28, ou seja, 43,98% sobre o total repassado para todas as emissoras que possuem concessão pública. A rede Record, do pastor Edir Macedo, por sua vez, no mesmo ano somou R$ 174.382.548,15 (14,30% do total) do repasse.
Se somarmos o período entre os anos de 2000 à 2012 o valor total recebido por ambas emissoras são de R$ 5.863.488.865,02, ou seja, 54,7% do total para a rede Globo e R$ 1.571.067.107,79, somando 14,7% do total para a rede Record. Isso sem levar em conta o repasse estadual para essa imprensa. 
Os demais meios de comunicação como rádios, jornais, internet e revistas não ficam atrás. A Editora Abril, genitora da revista Veja, na qual funciona como um verdadeiro panfleto do PSDB, tem um repasse de R$ 1.296.649,00, sendo essa a editora que mais se privilegia dos cofres públicos e dos contribuintes.
As eleições de 2014, sobretudo a disputa presidencial, revelaram que um dos principais problemas enfrentados pela população brasileira é o cartel dos grandes grupos privados de comunicação. A atuação articulada de TVs, rádios, grandes jornais e revistas de circulação nacional tentou de todas as formar manipular a opinião pública e, assim, eleger o seu candidato: Aécio Neves (PSDB).
Uma coisa saltou aos olhos: o sistemático ataque da imprensa aos programas sociais de criação de renda articulados pelos governos do PT desde a época Lula e que tiveram continuidade na gestão de Dilma Rousseff, como, por exemplo, o bolsa-família. A campanha era de que o programa não passava de assistencialismo para a compra de votos do eleitorado das regiões Norte e Nordeste do país. Ou seja, em torno de 40 milhões de pessoas.
Parte da imprensa, inclusive embarcou na campanha de que era preciso impedir os beneficiários do bolsa-família de votarem. A ideia levada adiante é a suspensão do título de eleitor de beneficiários de programas sociais do governo. A proposta pretendia dar fim justamente ao “voto de cabresto” e garantir “eleições justas” em 2014. 
Para a imprensa da direita, a população não pode receber nenhum tipo de auxílio, caso contrário não passa de um curral eleitoral do PT. Agora ela mesma receber a sua “bolsa-imprensa” milionária sem nenhuma contradição. Pelo contrário, defendem os cínicos: trata-se de garantir a liberdade de imprensa e de expressão... dos monopólios e da direita. 

Fonte: http://www.pco.org.br/nacional/a-milionria-abolsa-imprensaa/aysi,e.html
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