segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Hora de enxergar os próprios erros políticos


mapa
A derrota de Aécio Neves nas eleições presidenciais foi um grande choque para todos aqueles que lutam contra o projeto político esquerdista de redução das liberdades e coletivização social, mesmo sabendo que o candidato Aécio não era o melhor candidato do mundo. A derrota apertada se deveu basicamente em virtude da grande disparidade de votos no Nordeste brasileiro, onde em alguns estados a diferença entre os candidatos chegou a quase 60%, e nos estados sudestinos de Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados com os quais Aécio Neves possui grande identificação. Lê-se nas redes sociais várias acusações a essas pessoas, dizendo que estão moralmente comprometidas e que estão condenando o país a um modelo atrasado. Se lê também muitas críticas à campanha suja do PT, baseada em mentiras e agressões.

Em defesa dos nordestinos, o que eu tenho a dizer é que faltou, da nossa parte, saber dialogar com essas pessoas. Em defesa do PT, eu digo que eles apenas fizeram seu papel, e muito bem.
Resta evidente nesse momento que não só o PSDB, mas a candidatura federal de Aécio Neves simplesmente não soube dialogar com essas pessoas. Não se soube ouvir deles o que eles querem e nem apresentar a eles uma nova visão de mundo. E isso é responsabilidade do político, do instituto do partido e da sociedade civil liberal/conservadora/social-democrata moderada. Não é responsabilidade do eleitor correr atrás do político e se fazer entender quando é o político que está atrás dos votos do eleitor. Precisamos fazer um estudo profundo acerca dessa deficiência comunicativa, e pretendemos fazer isso em breve. Dizer que a culpa é do nordestino é transferir para ele uma responsabilidade nossa. E se o nordestino não liga para corrupção, que foi o grande mantra da “direita” nessa eleição, precisamos descobrir sobre que assuntos esse eleitor se interessa, e abordá-lo da melhor maneira possível, ao invés de continuar a martelá-lo com algo que ele não entende ou não quer entender. Fazer o contrário é insistir no que não dá certo.

Quanto ao PT e sua candidatura suja, cheia de mentiras e apelos, bem… política é uma guerra e os petistas a travaram muito bem. Fizeram o que devia ser feito.
Quando viram que os grandes rótulos pelos quais o PSDB trabalhava para se eleger eram a ética e a competência na gestão administrativa e econômica, combateram muito bem esses temas mostrando que o PSDB também tinha problemas éticos (mensalão mineiro, mensalão da reeleição e problemas pontuais do governo mineiro) e de gestão (relembrando de maneira descontextualizada os problemas da era FHC e da própria gestão de Aécio em Minas), empatando o jogo nesse campo, ou pelo menos fazendo o PT perder de pouco.
Já no campo social, onde a percepção da sociedade é que o PT é superior ao PSDB, este último simplesmente não apresentou críticas ou soluções. Na verdade, foram sempre elogios aos programas do PT e tentativa de tomá-los para si, com um discurso totalmente raso de “melhoria” dos programas. Cadê as críticas ao bolsa-família? Ao Pronatec? Cadê um programa substitutivo e melhor? No campo social o PSDB perdeu de goleada.
Pegando-se o mapa de votação do segundo turno, essa visão é nítida. Em lugares que prezam mais pela ética e pela eficiência na gestão, o PSDB ganhou de pouco, graças a neutralização do discurso do PSDB pelo PT. Em lugares onde a questão social é que tem peso maior, o PT ganhou de goleada, pela falta de neutralização do PSDB nos temas.
Agora temos quatro anos para apresentarmos novas candidaturas, seja por PSDB, DEM, PSC, NOVO ou algum partido menor, que se organize desde agora para neutralizar o discurso social do PT e avançar o discurso ético e de eficiência. E essa construção passa pela construção de uma oposição aguerrida no Congresso Nacional, coisa que também foi mal feita nos últimos quatro anos.
Não ignorando os erros e os consertando, com planejamento de longo prazo, não há limites para um discurso político verdadeiramente coerente neste país.

Fonte:http://www.institutoliberal.org.br/
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