segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Chernobyl, maior acidente nuclear da história



O maior acidente da história da humanidade, quando a gente viu que brincar de Deus pode ter um preço alto. Nesse dia, 25 anos atrás, o reator número 4 da AES (atomno eletro stansya, usina eletro atômica) de Chernobyl explodia, jogando no ar mais de 500 tipos de radiosótopos altamente letais na atmosfera, num espetáculo bizarro e único, que iluminou o céu da pequena cidade de Pripyat.
A história todo mundo conhece. Ano a ano, a gente lembra, mas a gente também esquece. Por isso, hoje, todos os jornais e sites fizeram matérias, com repórteres que se arriscaram, muitas vezes, para recontar essa história. Profissionais cujo sacrifício – mesmo que os motivos não sejam tão nobres – deve ser lembrado: se não fossem esses jornalistas, a tragédia ficaria no esquecimento.
É dia também de lembrar dos mártires, que se sacrificaram para evitar uma tragédia ainda maior. E das vítimas, que, muitas vezes, morreram e nem souberam a causa. Dos inocentes que sofreram e sofrem apenas por terem nascido. E dia de lembrar que, a maior lição de Chernobyl é nunca esconder a verdade. Espero que o exemplo soviético inspire as autoridades contemporâneas – sobretudo quando temos um desastre prestes a acontecer, no Japão.



Ao longo do dia, li bastante coisa e fiz um compiladão do mais interessante sobre a tragédia. Essa matéria, da Radio Free Europe, me impressionou em algumas partes. A correspondente ucraniana da RFE, Natalia Churikova, que tinha 14 anos à época da tragédia, conta sua história, que você pode ler aqui. Mas uma coisa me chamou muita atenção: quando ela fala que debates na TV, após a exposição da tragédia, traziam especialistas que diziam “com a cara lavada, que radiações como aquela, em pequenas doses, haviam sido comprovadamente benéficas para ratos”….

Já em outra matéria, da Chernobyl-International, uma ONG que faz um trabalho espetacular com as vítimas da tragédia ao longo dos anos, conta a história de Leonid Budkovskiy, um dos homens que entregavam as correspondências ‘top-secret’, quando os liquidadores (homens que ajudavam a dissipar os elementos contaminados) começaram a desembarcar nas áreas afetadas. Me chamou atenção quando Budkovskiy diz “em Chernobyl ninguém sabia o quão sério tudo era. Nós nem usávamos roupas especiais…’. Mais você pode ler aqui.
Aliás, por falar em “liquidadores”, bom, não há muito o que falar sobre eles. Falando francamente, muitos deles queriam sim, ajudar. Embora não soubessem que seriam mártires. Acreditavam no governo quando este dizia que estava tudo sob controle. Jamais souberam que tinham recebido uma sentença de morte. Vinham de toda parte da União Soviética, com a missão de ajudar após terem passado por um treinamento risível. São mártires involuntários. Mas não houve relatos de nenhum deles sequer hesitando em seu trabalho, mesmo após os primeiros sintomas. E eles foram aos milhares. Logo nos primeiros meses, cerca de 25 mil morreram. Nos anos seguintes, outros 70 mil sofreram as consequências da radiação. O relato de um deles, sobre como eles “extrairam a pele” de quilômetros e quilômetros de áreas afetadas é impressionante. Leia aqui e assista a esse vídeo aqui, narrado por um dos liquidadores da época, o Major Stanislav Titov, um pedaço vivo da história da tragédia.


Vimos também, em vários e vários sites e jornais, muitos profissionais em viagens a Pripyat e Chernobyl. Eu chuto que tenha lido umas 3 ou 4 dezenas. Mas pouquíssimos podem tocar a superfície do problema – principalmente pela barreira linguística, já que poucos falam russo. Além do mais, há a barreira do conhecimento. Poucos são iniciados no tema, ignoram a física e as ciências envolvidas no processo. Não é o caso do Vadim, um geofísico e jornalista de Moscou, do mais alto gabarito, e que tem um dom incrível de escrever a coisa certa. Além de tirar excelentes fotos. Seu relato – e suas fotos - estão em seu blog e podem ser vistas aqui. Tudo está em russo, recomendo um google translate (para o inglês), mas as fotos são imperdíveis.
O Greenpeace Rússia – que tem feito excelentes ações contra a energia nuclear – não ficou de fora. Na praça principal da Universidade Estatal de Moscou (onde eu tanto enrolei esperando aulas…), a famosa MGU, eles organizaram um protesto imponente, uma espécie de flashmob. Está escrito “STOP AES”, que a gente já sabe ser a sigla em russo para usina nuclear.

Outra coisa que muita gente esqueceu é de que em Kiev existe um museu impressionante sobre Chernobyl. Lá tem fotos da época, histórias, vídeos, documentos top-secret, enfim, um sem fim de informações absolutamente impressionantes e chocantes sobre a tragédia. Para quem já foi, é comparado a Auschwitz, ao Museu do Terror, em Budapeste, e ao Museu da Resistência de Varsóvia, na capital polonesa. História viva e chocante. O Vadim também fez excelentes fotos lá e cronizou todas. Se você não viu esse museu, ao menos virtualmente, não entrou na história de Chernobyl. Confira aqui.
Alguns fatos de Chernobyl, segundo o Greenpeace e a Chernobyl International:
CRIANÇAS:
> Hoje, na Ucrânia, 6.000 crianças nascem a cada ano com defeitos cardíacos genéticos. Mais de 3.000 morrerão por falta de atendimento médico.
> Crianças nascidas a partir de 1986 tiveram um aumento de 200% nos defeitos de nascença e um aumento de 250% em deformidades congênitas.
> 85% das crianças da Bielorrússia são consideradas vítimas de Chernobyl: eles carregam “marcadores genéticos” que poderiam afetar sua saúde a qualquer momento e podem ser transferidos para a próxima geração.
> O UNICEF constatou aumentos nas taxas de doença das crianças, incluindo 38% de aumento em tumores malignos, 43% das doenças do aparelho circulatório do sangue e 63% em distúrbios musculares, ósseos e de tecidos conectivos.
> Cada criança que vive em uma instituição, como um orfanato ou asilo para doentes mentais, recebe apenas 1€ por dia para viver.
> Em 2004, quase 26 por cento das crianças menores de 17 anos viviam abaixo da linha da pobreza.
> Mais de um milhão de crianças continuam a viver em zonas contaminadas.
SAÚDE:
> Sete milhões de pessoas que vivem nas áreas afetadas receberam a maior exposição à radiação conhecida na história.
> Médicos bielorrussos identificaram aumento no número de cânceres, incluindo um aumento de 200% no câncer da mama, 100% na incidência de câncer e leucemia, e um aumento de 2.400% na incidência de câncer de tireóide.
> As taxas de mortalidade entre a população já superam suas taxas de natalidade.
MEIO AMBIENTE:
> 99% da terra da Bielorrússia foi contaminada em diferentes graus acima dos níveis internacionalmente aceitos.
> 2.000 cidades e vilarejos foram evacuados, e mais de 400.000 pessoas foram realocadas de suas casas desde 1986. Décadas mais tarde, outros 70.000 estão ainda à espera de evacuação.
> A zona de exclusão, conhecida como “Vale da Morte”, foi elevada de 30 a 70 quilômetros quadrados. Nenhum ser humano jamais será capaz de viver nele de novo.
> Alguns dos contaminantes no solo e contaminar o ar, como o plutónio, tem uma meia-vida de 24.400 anos.
ECONOMIA:
> O custo da explosão de Chernobyl e suas conseqüências estão sendo realizadas pelos sobreviventes e serão entregues aos seus filhos por gerações.
> Os custos desastre de Chernobyl na Bielorrússia é de 20% do seu orçamento anual nacional.
> Estima-se que as conseqüências do desastre custarão à Bielorrússia 235.000 milhões de dólares.
> 5% dos adultos bielorrussos vivem com menos de 2,50 € por dia.
> 1,7 milhões vivem na pobreza, e 178.000 destas vivem em “pobreza extrema” (menos de metade do nível mínimo de subsistência)
> As crianças são o setor mais pobre da população, diante do risco 1,5 vezes maior de pobreza do que o nível médio em todo o país.
CHERNOBYL:
> O acidente lançou radiação 200 vezes maior que a liberada pelas duas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.
> Inicialmente, estimavam que 100 milhões de curies de radiação haviam sido lançados na atmosfera. Hoje, muitos cientistas acreditam que esse nível chegou perto de 250 milhões de cúrias.
> 70% da radiação caiu para a população de Belarus, afetando sete milhões de pessoas.
> Os cientistas temem que uma nova explosão possa ocorrer, produzindo uma força de 3-5 megatons, e expondo toda a Europa a enorme contaminação radioativa.
> 800.000 homens arriscaram as suas vidas e se expuseram a níveis perigosos de radiação para conter a situação.
> Pelo menos 25 mil desses homens morreram e 70 mil ainda estão desabilitados. 20% dessas mortes foram suicídios.
Fonte:  http://www.falandorusso.com/2011/04/chernobyl-textos-fotos-e-videos-no-post-do-ano/#sthash.c7IxyHQv.dpuf
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