terça-feira, 13 de agosto de 2013

Atividade cerebral desvenda mistério de casos de quase morte



Abri Peyrony & Pech-de-l'Azé I Projects/AFP

Pode existir uma explicação científica para as intensas experiências de quase morte, tais como ver uma luz brilhante, que algumas pessoas contam vivenciar após sobreviver, por exemplo, a uma parada cardíaca, afirmaram cientistas esta segunda-feira (12).

De acordo com um estudo publicado na revista Pnas (Proceedings of the National Academy of Sciences), aparentemente, o cérebro continua funcionando até 30 segundos depois que o fluxo sanguíneo é interrompido.
Cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, estudaram nove ratos de laboratório que foram anestesiados e, então, sujeitos a uma parada cardíaca induzida como parte do experimento.


Nos primeiros 30 segundos depois que seus corações pararam, todos os animais demonstraram um aumento da atividade cerebral, observada em eletroencefalogramas (EEGs) que indicaram estados mentais altamente excitados.

"Ficamos, então, surpresos com os níveis de atividade", disse o autor principal do estudo, George Mashour, professor de anestesiologia e neurocirurgia da Universidade de Michigan.

"De fato, na quase morte, muitas assinaturas elétricas conhecidas de consciência excedem os níveis encontrados no estado de vigília, sugerindo que o cérebro é capaz de realizar atividade elétrica bem organizada durante o estágio inicial da morte clínica", acrescentou.

Resultados semelhantes em termos de atividade cerebral foram observados em ratos quando asfixiados, acrescentaram os cientistas.

"Este estudo nos diz que a redução  tanto do oxigênio quanto da glicose durante uma parada cardíaca podem simular a atividade cerebral que é característica do processo consciente", explicou outra autora do estudo, Jimo Borjigin.

"Ele também fornece o contexto científico para as experiências de quase morte reportadas por muitos sobreviventes de paradas cardíacas", acrescentou.

Cerca de 20% das pessoas que sobrevivem a paradas cardíacas contam ter tido visões durante um período conhecido pelos médicos como de morte clínica.

Borjigin disse esperar que o estudo de sua equipe "vá assentar as bases para estudos humanos futuros que investiguem as experiências mentais que ocorrem em um cérebro que está morrendo, inclusive o avistamento de luz durante a parada cardíaca".

A corrente científica dominante costuma considerar que o cérebro permanece inativo durante este período e alguns especialistas questionam quanto um estudo sobre ratos pode realmente revelar sobre o cérebro humano.

"Sabemos se os animais experimentam a 'consciência'? A maioria dos filósofos e dos cientistas ainda discordam sobre o que este termo diz respeito nos humanos, quanto mais em outras espécies", afirmou David McGonigle, conferencista na Universidade Cardiff, no Reino Unido.

"Enquanto pesquisas recentes sugerem que animais podem, de fato, ter o tipo de memória autobiográfica que os seres humanos possuem - com lembranças que permitem nos situar em determinado tempo e espaço -, em parte, parece improvável que as experiências de quase morte sejam necessariamente similares entre as espécies", acrescentou.

Anders Sandberg, pesquisador da Universidade de Oxford, também no Reino Unido, descreveu a pesquisa como "simples" e "bem feita", mas pediu cautela ao interpretar os resultados.

"O EEG nos diz coisas sobre a atividade cerebral um pouco como ouvir o barulho do trânsito diz o que está acontecendo em uma cidade. Certamente é informativo, mas também uma média de grande interação individual", acrescentou.

"Não duvido que algumas pessoas vão alegar que seja uma evidência da existência de vida após a morte, o que é duplamente tolo. Experiências de quase morte são apenas experiências", afirmou. "Mas se alguém acredita nisso, então devíamos concluir que a vida após a morte inclui muitos ratos de laboratório."
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